O que eu entendo por “consciência”

Em português, usamos a palavra “consciência” para nos referirmos a fenômenos distintos. Segundo o Dicionário Michaelis, “consciência” pode significar:

1. Capacidade, de natureza intelectual e emocional, que o ser humano tem de considerar ou reconhecer a realidade exterior (objeto, qualidade, situação) ou interior

2. Sentido ou percepção que permite ao homem conhecer (meu grifo) valores ou mandamentos morais, quanto ao certo ou ao errado

O dicionário cita 16 definições para o verbete, essas são apenas duas que selecionei como principais para o raciocínio que pretendo estabelecer aqui.

Com essas definições, podemos perceber que existe consciência no sentido de lucidez e consciência referindo-se a um sentido (tipo um dos cinco sentidos). É com a última que vamos trabalhar.

Nota: embora a segunda definição cite julgamentos de certo e errado, isso não entra no sentido que vou explorar.

Consciência, então, da forma em que vou trabalhar neste blog, diz respeito a um sentido, uma faculdade intrínseca a tudo o que existe: parto do princípio de que tudo o que existe possui uma espécie de consciência, mesmo que não nos termos em que eu entendo como ser humano, com a minha consciência (wink wink) humana.

Mas para facilitar e ilustrar um pouco tudo isso, vamos para uma analogia.

Imagine que existe um oceano infinito, que é Tudo O Que É (ou Deus, ou Universo e etc). Imagine que você é, nesse oceano, uma onda: você é, assim, tanto o todo quanto uma expressão individual do mesmo. Para facilitar o entendimento, lembrando-nos que qualquer ato definição é limitante, pense que você, ou seu sentimento de que você existe, o “Eu” é a força que move a onda, a corrente; e a água em si é sua consciência, o “Sou” ou “Existo”.

De uma forma simples, consciência é o sentido que você utiliza para explorar Tudo O Que É; é um veículo experimental: nela existe pensamento, sentimento, emoção.  Por isso o grifo na segunda definição que selecionei: sentido que permite [ao ser humano] conhecer.

Dito isso, quero inserir já um pensamento que eu, pessoalmente, acredito que deveríamos levar para toda a nossa pesquisa e exploração espiritual. Às vezes nos colocamos na posição de procurar respostas exatas e diretas a respeito de questões multidimensionais que não podem ser entendidas por um pensamento linear. Procuramos essas respostas e explicações a partir de nossa projeção humana; ou seja, a partir de nosso raciocínio e experiência tridimensional, e a chamamos de “verdade”. Assim, reconhecer que a nossa experiência é extremamente específica e que é UMA experiência dentre as infinitas que existem em Tudo O Que É, a maior parte das quais não conseguimos nem imaginar, é uma ferramenta muitíssimo valiosa e essencial para nossa expansão.

Portanto, toda essa divagação sobre consciência é realizada a partir de uma consciência humana. Não é a verdade. Diferentes consciências teriam diferentes respostas para o que é isso que chamamos de… consciência (um animal, por exemplo). Compartilho com vocês a minha percepção e as minhas conclusões derivadas de muito estudo e diversas experiências, mas que de forma alguma pretende ser um produto acabado e que todos devem comprar.

Voltando à vaca fria, vou tomar, então, consciência como o sentido experimental que utilizamos para nossas aventuras no cosmos. Aqui, vou adicionar mais dois pontos para finalizar:

  •   A consciência é multidimensional

Ou seja, ela extrapola, em muito, a linearidade. Assim, existem níveis de consciência, alguns dentro dos quais passeamos cotidianamente sem perceber: quando estamos dormindo, quando sonhamos, quando estamos em alfa e temos aquele insight que muda nossa vida e quando meditamos, por exemplo. Se você quiser contemplar um pouco da não-linearidade na sua vida, lembre de um sonho que fazia perfeito sentido enquanto você estava sonhando e, quando acordou, parecia absolutamente incoerente: você não sabia dizer o que tinha acontecido antes ou depois, ou você estava em um lugar E em outro ao mesmo tempo e coisas do tipo. Esse sentimento de incoerência é sua mente linear tentando fazer sentido de uma experiência multidimensional. Das próximas vezes que sonhar, perceba ao acordar a diferença de entendimento que você tinha no sonho e, agora, acordadx.

  • Não há limites para consciência

Lembre-se da analogia do oceano e da onda. Você consegue separar uma onda do oceano? Da mesma forma, sua consciência é inseparável do Todo. Ou seja, você é inseparável do Todo.  Dito de uma forma melhor: você é uma expressão do Todo. Isso normalmente é bem difícil de entendermos emocionalmente (podemos entender perfeitamente bem conceitualmente), mas é disso que estamos falando quando dizemos “somos todos um”. Essa experiência física nos faz pensarmos a respeito de nós mesmos como um pacotinho de identidade chamado de [inserir seu nome] e que é esse pacotinho seremos sempre. Isso seria limitar a consciência. Sua natureza é, ao contrário, maleável e fluída. Se a sua reação for semelhante à minha, nesse momento, brotou um aperto e um protesto de “mas e EEEU??!”; porém, aqui devemos entender que esse universo é inclusivo, não excludente. Portanto, não há um “ou isso ou aquilo”, e sim um “isso E isso E isso…”. Nesse momento, contemple a ideia de que isso tudo é tão expansivo que você tanto É você para sempre quanto você é você sendo outros você e você pode ser você com outros você que não são você hoje 🙂

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