3 práticas para cultivar seu amor próprio

Eu penso que existem duas maneiras de você abordar a questão do amor próprio e da autoestima: uma é partir do princípio que você precisa construir esses sentimentos dentro de você, e outra é partir do princípio que o seu estado natural é um de puro amor próprio e autoestima, e o seu trabalho é lembrar-se disso.

Embora os dois sejam semelhantes e ambos criem resultados, eu, pessoalmente, prefiro trabalhar com a segunda perspectiva.

Nós nascemos nos amando.

Observe o comportamento de uma criança. Observe a autenticidade, a desenvoltura, a autoconfiança que as crianças demonstram. Existe alguma falta de amor próprio ali?

Durante nosso processo de socialização, quando tomamos contato com as crenças que estão ativas na nossa família e na sociedade em que crescemos, podemos, em variados graus, ir perdendo toda aquela autoestima que antes possuíamos — seja por crenças relativas aos padrões de beleza, as crenças sobre comportamentos julgados como apropriados para cada gênero, as crenças sobre os talentos que você demonstra, as crenças sobre o que você deve ou não deve fazer, ou as crenças sobre o que você é capaz de fazer ou não, e muitas outras.

Quando chegamos na vida adulta, podemos estar completamente descrentes de nosso valor e capacidade inatos, não sendo capazes de reconhecer nossas qualidades, talentos, gostos, paixões e, principalmente, não sendo capazes de reconhecer o que merecemos — de ótimo, de maravilhoso, de afirmativo, de positivo.

Nessa jornada, já experimentei, estudei, testei, exercitei e criei diferentes vertentes e práticas para acessar e manter um estado de amor próprio, com diferentes resultados e diferentes aplicabilidades.

Abaixo, vou sugerir três dessas práticas que eu acredito serem as mais profundas e que geram mais resultados a longo prazo.

  1. Valide os seus sentimentos — TODOS eles.

Temos a infeliz crença social de que só é aceitável e bom sentimentos positivos. Não consigo enfatizar o suficiente o quanto isso nos prejudica, tanto em nível individual quanto coletivo. Aprendemos que quando estamos experimentando um sentimento negativo, seremos humilhados (“você é menino, para de chorar!”), invalidados (“você não tem motivo para ter raiva!” – diz o adulto, com raiva), punidos (“para de chorar senão vou te dar um motivo para chorar”) e envergonhados (“que coisa feia, você não pode sentir essas coisas”).

Isso causa uma ruptura na nossa psique: passamos a rejeitar, suprimir e desaprovar aquelas partes de nós mesmos que sentem esses sentimentos e pensam esses pensamentos.

Ou seja, passamos a rejeitar, suprimir e desaprovar nós mesmos.

Somos uma totalidade. Possuímos o positivo e o negativo. Somente aceitando e validando os seus dois lados você pode atingir o estado de equilíbrio, que engloba o amor próprio e a consciência do seu valor — pois você estará admitindo como real tudo o que você é; você estará dando a si mesmo a consciência de que você existe, que é tudo o que queremos, principalmente as partes que julgamos como negativas.

E como você pode fazer isso?

Esse exercício é simples e você pode fazê-lo ao longo do dia em vários momentos; porém, sugiro que você faça no final do dia, pois você terá uma gama maior de sentimentos com os quais experimentar a validação.

Se você optar por fazê-lo ao final do dia, sente-se em uma posição confortável, feche os olhos e respire profundamente e com calma três vezes. Em seguida, vá passando pelo dia que você teve e selecionando os sentimentos mais intensos que você sentiu, positivos E negativos.

Feito isso, você vai se dirigir a cada um desses sentimentos — você pode até mesmo visualizar esses sentimentos como uma versão de você mesmo, isso ajuda bastante — e reconhecer a existência daquele sentimento. Você faz isso se dirigindo ao sentimento e abordando-o com uma atitude de presença incondicional. Diga a ele “Eu estou te vendo agora. Eu te vejo e eu estou aqui. Você tem todo o direito de existir”.

Permaneça nessa atitude de presença o quanto você sentir que precisa. Normalmente, isso significa até você sentir algum alívio. Repita o exercício para todos os sentimentos que você sente que precisam ser validados daquele dia.

No começo, não aborde sentimentos muito intensos se você sentir que não consegue lidar com eles (eu sei bem o que é isso). Veja qual o alcance emocional que você tem a capacidade de lidar naquele momento e trabalhe naquele espectro — isso já renderá resultados ótimos. Ter paciência consigo mesmx é um ato de amor próprio, lembre-se disso.

Se você optar por fazer esse exercício ao longo do dia — o que você fará automaticamente depois de um tempo —, simplesmente note quando sentimentos vêm à superfície e valide-os naquele momento. Novamente, diga “Eu te vejo. Eu vejo que você está aí, e você tem todo o direito de existir. Você é parte de mim, e eu te amo”. Sinta o alívio e a felicidade que vêm com essa validação.

O que nós não sabemos é que nossos sentimentos e emoções são inerentemente fluídos por natureza. Isso significa que, dado o espaço e a presença, eles seguem o seu caminho e vão embora por si próprios.

2. Se pegue no pulo

É importante que aprendamos a reconhecer quando exatamente temos um pensamento de falta de amor próprio. Podemos e frequentemente temos muitos ao longo do dia, mas é importante que aprendamos a localizar exatamente qual foi o pensamento ou diálogo interno que causou aquela queda no seu estado de espírito. 

Assim, da próxima vez que você se pegar pensando coisas negativas a respeito de si mesmx, tome consciência de que você está contando uma história! Isso não é uma verdade, nem perto disso! 

Exercite o princípio muito usado na mindfulness do observador. Fale “Nossa eu sou mesmo criativx! Que história bacana. Daria um bom filme de chorar”.  Perceba como você se perde no meio da sua história (como um bom narrador) e note que se você consegue perceber que você mesmo está contando essa história… então você não é a história! Você é algo muito, muito além disso. 

Conforme você for exercitando essa prática do separar você da sua história, procure cortar esses pensamentos nos primeiros indícios de que eles podem vir a aparecer. Isso é um treino mental muito importante e muito eficaz. 

Para ajudar, você pode fazer uma lista de 5 coisas que só de você pensar um pouquinho, já te fazem feliz: uma música, uma ideia, uma memória, um desejo, um livro, um filme, um amigo, uma paisagem… a lista é infinita. 

Assim, quando você cortar o pensamento de falta de amor próprio — ou qualquer outro pensamento negativo , já coloque o seu foco em uma dessas coisas! É assim que aprendemos a dirijir nossos pensamentos e nosso estado de espírito conscientemente. 

 3. Construa a consciência das suas qualidades

Já trabalhei com muitas pessoas que têm uma dificuldade imensa em listar suas próprias qualidades. Todas pessoas incríveis que eu mesma poderia listar 10 dessas qualidades de cada uma na hora.

Mas, alas, estavam em um espaço de falta de amor próprio tão grande, que realmente não viam nada digno de ser classificado como uma qualidade nelas mesmas.

E isso realmente pode ser muito difícil. Se você cresceu em um ambiente extremamente crítico, ou mesmo se você cresceu em uma cultura em que ter consciência de suas qualidades e reconhecê-las abertamente é tido como um ato egoísta — alguém aí se identifica? —, reconhecer e exibir com orgulho suas próprias qualidades e talentos pode ser uma tarefa aparentemente impossível.

Pode ser difícil, mas não é impossível.

Com um pouco de prática, você pode ir trilhando esse caminhos de auto-apreciação e torná-los tão presentes que em pouco tempo será capaz de reconhecer de forma afirmativa e confiante pelo menos duas dessas qualidades.

Então, se você está começando nesse processo e está com dificuldade de reconhecer suas qualidades, comece com algo pequeno: saber fazer alguma comida gostosa, jogar bem um jogo, dar um bom abraço, saber contar uma história, fazer as pessoas rirem, ser um(a) boa/bom ouvinte, ser um(a) boa/bom conversador(a), ter responsabilidade, ser presente…

Essas são apenas algumas coisas que vieram à minha cabeça, mas essa lista pode ser infinita. 

Se você estiver tendo muita dificuldade, procure (bons) testes de personalidade ou de qualidades que poderão dizer para você aonde estão os seus pontos fortes, e comece daí.

Outra dica é se abrir e perguntar para amigos, parentes e pessoas em que você confia que qualidades eles vêm em você. Você ficará surpresx em ver o quanto essas pessoas ficam felizes em fazer isso! 

Então, não tem desculpa. Você tem qualidades sim, e a partir do momento que você começar a reconhecer uma ou outra, mais e mais delas vão começar a pipocar na sua consciência, pois você estará se colocando na frequência do amor próprio e da autoestima, recebendo mais evidências e atributos dessa frequência  ou seja, mais razões para se amar!

Reconhecidas as suas qualidades e pontos fortes, escreva em um papel todas as que você consegue listar e consulte essa lista todos os dias. Leia uma por uma, e a cada qualidade que você ler, deliberadamente lembre-se de momentos na sua vida nos quais você exibiu essa qualidade. Momentos em que você foi forte, inteligente, responsável, determinadx, engraçadx e etc. 

Ao longo de uma semana, procure no mínimo 2 memórias para cada qualidade. Claro, você pode listar quantas quiser, então se você encontra mais que duas, perfeito! Liste-as. 

Na semana seguinte, em adição a esse exercício, comece a perceber quando você está exercitando essas qualidades no presente. Note quando você é gentil pode ser apenas falando um “Bom Dia!” bem-humorado, estando presente para um amigo, ou realizando um bom trabalho.  

Conforme você dá peso a essa consciência das suas qualidades, reconhecendo-as no passado ou no momento atual, mais presente ela vai ficando no seu estado de espírito, e, assim, você se pega de repente no estado de amor próprio. 

Com essas três práticas, você já terá uma caixinha de ferramentas bem completa tanto para dar os primeiros passos na sua jornada de redescoberta de amor próprio quanto para manter essa vibração como uma nova versão de você mesmx, internalizando esses pensamentos, sentimentos e processos. 

Depois disso tudo, só resta realmente uma coisa a dizer…

Comece hoje. Comece agora mesmo! Você está loucamente se esperando para receber o seu amor e a sua atenção! 

 

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